Observatório do Futebol Feminino participa do 1º Women`s International Football Summit

WIFS no Museu do Amanhã. FOTOS: COMUNICAÇÃO CONFUT
Foto: Comunicação CONFUT

Nos dias 14 e 15 de setembro aconteceu no Rio de Janeiro o primeiro Women`s International Football Summit (WIFS), encontro dedicado ao fortalecimento do futebol de mulheres, organizado pela CONFUT. O evento reuniu profissionais de diversas áreas para discutir o presente, o passado e o futuro do futebol feminino no Brasil. Ao longo dos dois dias,  o Museu do Amanhã foi campo de importantes reflexões sobre o desenvolvimento da modalidade, trazendo um time de peso com representantes de conselhos de grandes clubes, técnicas, jornalistas e profissionais de diferentes áreas, que compartilharam seus desafios e perspectivas para esse novo cenário. Uma pergunta atravessou os debates: qual legado queremos construir a partir da Copa do Mundo de 2027 no Brasil?

Instituições como No More, SECOPA, CONMEBOL e Federação Nacional dos Atletas Profissionais e o  Movimento Mulheres do Futebol Nacional também estiveram representadas, ampliando a discussão sobre o futebol como ferramenta de inclusão, cidadania e desenvolvimento humano.

As trocas reforçaram a importância do legado cultural do futebol feminino, para que os avanços ultrapassem o período da Copa e permaneçam como políticas, oportunidades e transformações concretas.

Esse legado passa por naturalizar a presença das mulheres em todos os espaços do ecossistema dofutebol: jogando, torcendo, treinando, narrando, pesquisando, dirigindo clubes, ocupando conselhos e trabalhando na gestão. E também jogando bola por prazer, como parte da vida e do lazer. Que meninas e mulheres possam viver o futebol com liberdade e pertencimento, sem precisar justificar sua presença. Raquel Ribeiro, coordenadora geral da Copa (SECOPA) falou um pouco sobre a construção desse legado: 

Foto: Comunicação CONFUT

“A Copa traz um público muito específico, mas a gente quer que as mulheres e as meninas se sintam seguras nos estádios para além da Copa do Mundo. A gente quer que a segurança seja algo cotidiano no âmbito do futebol, seja no campeonato feminino ou masculino, seja na final da libertadores, seja em campeonato estadual, local, no território. Mas que as mulheres passem a se sentir mais seguras nesses espaços e de fato ocupem com toda a segurança e liberdade que a gente precisa e deve fornecer. Nesse sentido, o eixo de segurança, garantia de direitos, enfrentamento à violência e combate ao racismo é um dos eixos do Plano Nacional de Legado Social e Esportivoconduzido pelo Governo Federal, construído em parceria com diversos órgãos da Esplanada, com o Ministério da Justiça, Ministério das Mulheres, Ministério da Educação, pensando nesta perspectiva sistêmica que a gente precisa de fato atuar para gente fazer essa transformação cultural.”

Outros temas importantes atravessaram os debates, como a necessidade de os patrocinadores compreenderem o público do futebol feminino e contribuírem para a construção de uma identidade própria da modalidade. As mídias sociais também apareceram como parte fundamental desse processo, com novas formas de comunicação, engajamento e aproximação com o público, além do desafio de construir narrativas que não dependam da referência ao futebol masculino.

Foto: Comunicação CONFUT

Para Camila Silva, pesquisadora do Observatório do Futebol Feminino, participar do WIFS foi uma oportunidade de entender melhor como os clubes estão colocando em práticas ações para fortalecer seus times femininos e como isso pode ser replicado em forma de políticas públicas. “Entre tantos momentos importantes, meus olhos brilharam com a apresentação do trabalho das categorias de base da Ferroviária SAF, com as Guerreirinhas Grenás. Conhecer um processo estruturado de formação e desenvolvimento de meninas e jovens atletas mostrou, na prática, como projetos consistentes podem construir caminhos para o futuro da modalidade.”

No segundo dia a mesa “Comunicação do futebol feminino em transformação: novos formatos, plataformas e narrativas” — mediado por Antonia Pellegrino (presidenta da EBC), com Suleima Sena (Donas FC), Rachel Motta (TV Brasil), Daniela Grelin (NO MORE Foundation) e a fotojornalista Lívia Villas Boas (Staff Images e da Staff Images Woman). Foi destacada a importância da TV pública na disseminação da cultura do futebol feminino, destacando o protagonismo de mulheres na transformação da visibilidade em legado. Para Lara Lima, comunicadora do Observatório, este painel também contribuiu para a reflexão sobre a responsabilidade das mídias na construção de novas narrativas e olhares para o futebol de mulheres brasileiro, comprometidos com a construção de memória para combater a misoginia que insiste em acompanhar as notícias sobre a categoria ainda nos dias atuais. 

Foto: Comunicação CONFUT

Outro ponto alto foi a participação de ex-atletas pioneiras do futebol feminino brasileiro, que compartilharam suas trajetórias desde os tempos em que a categoria era proibida por lei em nosso país, relatando os desafios enfrentados por aquelas que abriram o caminho para regulamentação do esporte e seu desenvolvimento.

Foto: Comunicação CONFUT

Para o Observatório do Futebol Feminino, estar presente nesses espaços significa observar, ouvir, pesquisar, produzir dados e contribuir para que o crescimento da modalidade seja acompanhado de políticas públicas, investimento, memória e oportunidades para as mulheres dentro e fora de campo.

Veja mais fotos do evento no site do Women`s International Football Summit

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